segunda-feira, 26 de junho de 2017

Comentário: Beatriz (Alberto Graça, 2015)

Para escrever contos para uma revista portuguesa e em seguida um romance para um editor espanhol, Marcelo (Sérgio Guizé), um jovem escritor, envolve a sua mulher (Marjorie Estiano) em jogos eróticos que são a fonte da sua inspiração. Filme interessante mas não inteiramente bem resolvido, com excelentes interpretações dos protagonistas (menos bons são os portugueses Beatriz Batarda e Luis Lucas). E Lisboa é filmada como uma cidade erótica como ainda não tinha visto antes. O spot mais erótico parece ser o eléctrico 28... Paris 3/5

domingo, 25 de junho de 2017

Comentário: Danado de Bom (Beby Brennand,,2016)

Danado de Bom. As Músicas e as Histórias de João Silva (2016). Documentário de Beby Brennand, é um excelente retrato de João Silva, prolífico músico de Pernambuco, um autêntico génio do nordeste, que escreveu cerca de 3000 canções. Paris 4/5

Comentário: Rogério Duarte, o Tropikaoslista (José Walter Lima, 2016)

Um bom retrato do tropicalista Rogério Duarte, de que conhecia pouca coisa (as capas de discos que ele desenhou e/ou concebeu). Paris 3/5

Comentário: Era o Hotel Cambridge (Eliane Caffé, 2016)

Um prédio de São Paulo ocupado por brasileiros e estrangeiros sem teto; estes lutam contra a ordem de despejo recentemente estabelecida pela justiça. Um filme muito original, por vezes sublime (aquela senhora a cantar uma ranchera através do Sype...), muitas vezes surpreendente. Descobri uma excelente realizadora. Paris 3,5/5

sábado, 24 de junho de 2017

Comentário: Gabriel e a Montanha (Felipe Barbosa, 2017)

O cinema brasileiro não sai muito para o mundo, talvez porque o Brasil é um país-continente, feitos de várias e distintas culturas. Por essa razão é de saudar o segundo filme de Felipe Barbosa, que depois de um belo filme de interiores (Casa Grande), faz um filme nas belas paisagens de Africa. E escolheu uma história muito pessoal: o destino trágico do seu amigo de infância Gabriel Buchmann. Este universitário (interpretado por João Pedro Zappa) viajou por muitos países e morreu perdido numa montanha. A realização de Barbosa é impecável e foi consagrada em Cannes com o prêmio revelação da Semana da Crítica. Este filme ecoa um outro filme brasileiro, que também vi há anos no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, e de que muito gostei, em que um jovem entra na floresta amazônica e de lá não consegue sair com vida. Paris 4/5

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Comentário: Martírio (Documentário, 2017)

Este documentário de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita, sobre a luta dos índios Guarani-Kaiowá para recuperar as suas terras de origem é simplesmente excelente. Todo o passado do Brasil e o presente mais recente são convocados para contar uma história marcada pelo sofrimento e pelo exílio. Os realizadores percorrem os momentos históricos da relação entre o poder político e as comunidades indígenas e as tentativas de domesticação (assimilação, aculturação, emancipação) do indígena. Tudo está em aberto e a sorte do índio está nas suas mãos e nas mãos dos outros brasileiros. Muito bom. 4,5/5

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Comentário: São Paulo em Hi-Fi (Lufe Steffen, 2014)

Este documentário é empolgante. São Paulo em Hi-Fi trata da noite gay paulistana que vai do final dos anos 60 até final dos anos 80. Uma época em que os gays e os transsexuais ganharam visibilidade na sociedade brasileira e foram um dos principais protagonistas da noite. Foi com a explosão das boites e bares gay que a luta pelos direitos da população LGBT começou. A resenha da noite gay nos jornais e nas publicações especializadas abriu o debate sobre a diversidade sexual como até então não tinha ocorrido. O documentário é rico em imagens dos shows nessas boites e os protagonistas eram os travestis. Mas não era apenas o que se passava no interior das boites que contava, até porque muitos não tinham acesso a elas. As casas noturnas atraíam muitas pessoas, heterossexuais mas sobretudo homossexuais, que apenas passavam para ver quem por lá andava e para o engate, obviamente. Há testemunhos impagáveis de humor e todos são na verdade pertinentes. O filme recebeu justamente o prémio do público do Queer Cinema de Lisboa em 2014. Paris Arlequin 4/5